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Dívida pública federal cresce 8% em 2007

Tesouro diz que pode voltar a emitir títulos no mercado externo ainda neste semestre apesar da crise financeira global
publicado: 25/01/2008 11h09, última modificação: 11/11/2010 12h18

A dívida pública federal atingiu R$ 1,333 trilhão no ano passado, um aumento de 8% em relação ao endividamento de 2006. Apesar disso, o estoque da dívida ficou abaixo da meta estipulada pelo Tesouro Nacional no início de 2007. Por causa da crise financeira internacional, deflagrada no segundo semestre, o governo federal emitiu menos títulos públicos do que projetava no início do ano, numa estratégia para não pagar juros muito altos.
Quando se considera apenas a dívida interna, o saldo em 2007 ficou em R$ 1,224 trilhão -uma alta de 12% na comparação com o resultado de 2007.
O perfil da dívida pública melhorou ao longo do ano. O prazo médio de vencimento passou de 35,5 meses no final de 2006 para 39 meses no final de 2007. O volume de títulos que vencem nos 12 meses seguintes também caiu, de 32% no final de 2006 para 28%.

A composição da dívida também melhorou. O volume de títulos prefixados no final do ano foi maior do que os pós-fixados. Em dezembro de 2007, 37,3% dos títulos da dívida interna eram prefixados e 26% estavam atrelados a índices de preços. E 33,4% eram indexados a Selic.
A meta para 2008, estipulada no PAF (Plano Anual de Financiamento), é aumentar o volume de prefixados, para 35% a 40% da dívida total. Outra meta é de ampliar o prazo de vencimento para o mínimo de 42 meses e o máximo de 46 meses.
O gerente de renda fixa do Banco Prosper, Carlos Cintra, considerou muito otimista esta meta de alongamento do prazo da dívida pública. Ele lembrou que em momentos de crise financeira, o mercado financeiro busca títulos com prazo menor.
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, espera que o custo de carregamento da dívida pública caia em 2008. Ele minimizou o impacto da crise financeira internacional, que tem obrigado o Tesouro a emitir títulos prefixados a juros mais altos, no custo da dívida. "Não se pode pegar um ponto e tomar como uma tendência. O segundo semestre de 2007 já teve uma influência da turbulência internacional e mesmo assim o custo da dívida caiu. A tendência é de queda, mesmo que em menor grau", disse.
O custo médio da dívida em todo o ano passado foi de 11,77%. Mas o custo da dívida interna em dezembro foi de 14,5%, ante 13% em novembro. O vilão da alta do custo em dezembro foi à inflação, que provocou a alta de juros nos papéis atrelados a índices de preços.
A necessidade de financiamento em 2008, depois do uso de recursos do Orçamento, será de R$ 350 bilhões. Este é o mínimo que o Tesouro terá que emitir em títulos públicos neste ano. Os vencimentos somam R$ 400 bilhões, sendo deste total R$ 103 bilhões de juros.
Paulo Valle, secretário-adjunto do Tesouro, disse que, apesar da crise nos EUA, o Brasil pode voltar a emitir títulos no mercado internacional ainda no primeiro semestre. A última emissão de títulos da dívida externa foi em junho. "Pretendemos acessar o mercado externo no primeiro semestre, dependendo do mercado”.
A dívida externa caiu 5,6% em 2007 por causa do resgate líquido de US$ 5,6 bilhões. Ou seja, o Tesouro retirou mais títulos do mercado internacional do que emitiu no período. Em dezembro, o estoque da dívida somava US$ 61,5 bilhões.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO - 25/01/2008